12 Dicas para Lidar Com a Insegurança dos Filhos Quando Precisamos Ficar Ausentes 

 

... dormiu na minha cama até o 4° mês de vida, daí com eu já havia lido e preparado um quarto pra ela, resolvi colocá-la no berço. Ela dormiu muito bem, assim ficou até aproximadamente até o 7° ou 8° mês.

Eu fiquei em casa com ela até o 11° mês, sempre cuidei de tudo  pessoalmente,  dei muita atenção e carinho pra ela, somos muito apegadas e é ai que mora o problema. Voltei a trabalhar e ela ficou com a minha mãe, aparentemente  estava tudo bem, mas ela desenvolveu uma dermatite achei que fosse alimentar , mas percebi que ela está estressada e insegura, tenho ficado com ela o máximo que posso e ela ainda estava dormindo comigo, o sono dela é agitado e chama mamãe a noite, várias vezes resmunga e só para quando eu  digo calma, mamãe está aqui.

Ontem recebi uma ligação da escola dizendo que ela chora quando não tem alguém a sua disposição, que ela é insegura. Percebo que ela só se sente segura e livre quando EU estou por perto.

Quando o Inverno chegou, meu marido me convenceu a deixá-la dormir na nossa cama até que o inverno passasse.

Amo minha filha, e farei o melhor pra ela... Essa noite ela voltou a dormir na cama dela chorou pelo menos uns 40 minutos, até vencida pelo sono. E quando acordou chorou muito, geralmente ela acorda super feliz, isso me parte o coração.

O primeiro filho nos deixa com tantas dúvidas, não é? Isso é mais que normal. No seu caso houve o agravante do problema médico com sua filha e isso faz com que pais tentem proteger ainda mais os filhos, e deve ser assim, é para isso que servem os pais.

Precisamos questionar algumas coisas.

O sucesso da educação do seu filho depende da sua constância e persistência, ou seja, o que é certo hoje deverá continuar certo amanhã, o que é permitido hoje, deve ser permitido amanhã. 

No e-mail você disse que já havia colocado sua filhinha para dormir em outro quarto e cama,  que você preparou para ela e que estava tudo tranquilo. Você já havia colocado uma regra e a aboliu, assim se transmite mensagem confusa para a criança, "será onde eu devo dormir", "devo dormir só ou não", "durmo no meu quarto ou no da minha mãe?" então, "se é melhor ficar perto da mamãe eu vou sinalizar, chamando-a a noite para mostrar que é assim que eu acho melhor, é disso que preciso". Entendeu? Esta é a dinâmica, se não temos um padrão nosso, os filhos criam um que seja conveniente a ele. O ruim disso é que como os comportamentos são generalizáveis, a criança vai querer impor "suas regras "onde conseguir. os pais por peso de consciência, por dó de disciplinar ou por não conseguir ver o filho chateado, vão aceitando e cedendo que ele faça o que quer em casa, até ficar indomável! 

"M", você sabe o que quer de seu filho, você tem uma rotina a cumprir, você sabe como quer que sua casa funcione, então, coloque isso em prática! A criança deve e espera ser orientada pelos pais, ela espera que eles façam seu papel de mostrar o melhor caminho.

Então. mostre para sua filha que o quarto e a caminha dela são ela dormir em qualquer dia e estação, a não ser que ela esteja muito doente ou que tenha acontecido algo trágico, conforme descrito no artigo: Por que Seu filho Precisa Dormir Sozinho. Esta é uma regra para sua família, esta é uma das rotinas que você anteriormente havia estabelecido.

Você cita que já a colocou novamente em sua cama e que ela chorou bastante. As mudanças provocam este tipo de reação. Ela vai tentar conquistar o privilégio que tinha anteriormente, a melhor maneira que ela encontra é tentar te convencer com o choro, ela sabe que te comove. Se ela tivesse vocabulário suficiente tentaria te convencer com argumentos. Abaixo falo sobre uma rotina, coloque-a em prática, não volte atrás, não dê atenção a este tipo de choro, como você já viu, ela vai parar e vai dormir.

As vezes brinco que nós pais somos mais dependentes dos nossos filhos que eles de nós. Quando os deixamos até com as pessoas que mais confiamos no mundo, como nossas mães,  ficamos preocupados. Precisamos nos preguntar, quem está inseguro, eu ou meu filho? Que mensagem eu estou passando para ela quando saio e não o levo comigo? Será que minha insegurança é por que penso que não estando presente o tempo todo não estou sendo uma boa mãe? Estou sendo sem sentimento ou incompetente? Será que meu filho vai entender que eu não o amo o suficiente? Estas angústias ficam em conflito com a necessidade de trabalhar, de ser ativa no mercado de trabalho, de ter seu próprio dinheiro, de ser mulher, amante, esposa, dona de casa, etc. É difícil administrar! Quando eu questiono de quem é a insegurança, é porque na maioria das vezes é dos pais, que passam por toda esta angústia por amor a seus filhos e ele captam isso.

Então o que fazer?

1 - Cuide de você. Defina quais são os seus objetivos como mãe, como mulher, como profissional, como esposa. Saiba o que você quer para sua vida e futuro. Para isso, é importante que você se conheça, que você conheça seus pontos fortes e os que precisam desenvolver, é preciso que você valorize cada um desses pontos. Assim se constrói a autoestima. Quando se tem filhos, muitas mamães se anulam, esquecem de sua vida e que existe vida depois dos filhos. Quando digo cuide de você, é porque os filhos devem ser um de nossos objetivos como pessoa, mesmo que eles estejam incluídos em todos os outros objetivos e mesmo sendo eles, o objetivo mais importante e precioso.

2 - Se você já tem um local de confiança para deixar seu filho, ótimo! Se não, procure um local que te faça sentir tranquila. Um local com pessoas amáveis, transparentes, que te dê acesso ao seu filho e às dependências quando necessário. Um local que seu filho goste de estar.  

3 -  Lembre-se que você não poderá estar presente o tempo todo, em todos os lugares que o seu filho esteja durante a vida. Sendo uma mãe superprotetora, isso é difícil de assimilar, mas é preciso, pois seu filho precisa fazer progressivamente mais atividades sozinho para que seja independente e consiga sucesso na vida. Esta independência é conquistada com o desenvolvimento e amadurecimento. Assim:

4 -  Pense que ele ficará bem, que você ficará bem nos momentos em que estiverem separados. Mostre que você pensa assim, e ao se despedir mostre que está feliz por que vai fazer uma coisa que também gosta, porque vai fazer algo para você, seu filho ficará feliz ao ver você feliz! Pensamento bom e feliz gera ações felizes.

5 -  Conte histórias de mamães ou de pessoas, de bichinhos que saem para trabalhar ou viajar e que voltam. Mostre que esta volta é muito feliz, é como uma festa! Que as pessoas procuram saber o que aconteceu durante o tempo de ausência e que a saudade vai embora. Se não tiver livrinhos, invente uma história, com bonecas, meias e outros objetos.

6 -  Faça com que a ida a escola seja divertida, momento que ele pode levar um brinquedo e sua mochila.

7- Diga ao seu filho com voz firme audível e segura que você vai trabalhar e que assim que terminar você virá para buscá-lo. Diga que o ama muito e que vai ficar com saudades. Dê beijos e abraços e vá embora com atitude de segurança, de quem sabe o que está fazendo.

8 – Tenha uma rotina ao chegar em casa:

Por exemplo:

  • Brincar uns 30 minutos, estabeleça seu tempo.

  • Preparar o jantar (Dê a ela uma atividade interessante – montar objeto, ver TV, game, bonecas)

  • Banho morno e relaxante.

  • História para dormir, ele pode escolher o livro que quer ler.

  • Ele pode escolher 1(um) boneco ou pelúcia para dormir junto.

  • Peça proteção do Papai do Céu, dê beijos abraços, diga que ama, cubra com carinho, dê boa noite e diga que amanhã será um lindo dia.

  • Deixe uma lâmpada fraquinha ligada.

  •  Saia do quarto. 

  • O pai deverá estar envolvido nas atividades. Que este envolvimento não cause brigas e desconforto, principalmente na presença da criança.

9 - Na rotina estabeleça um horário para dormir.   Este horário, dever ser respeitado!

10 -  Na rotina deve-se incluir uma noite de diversão só para os pais. Como no sábado à noite, por exemplo, noite em que a criança ficará com a pessoa de confiança para que os pais celebrem e estreitem seus laços de amor. Isso é muito importante, pois a segurança dos filhos vem da segurança de ver seus pais felizes (juntos ou separados, melhor se estiverem juntos!).

11 - Crie regras para sua casa e família: tenha horários para as atividades, tenha locais definidos para as atividades, Crie rotinas, tenha estabelecido conceitos sobre o que é respeito, direito e dever em casa.

12- A rotina deve ser feita pelos pais, pai e mãe. Os dois devem concordar e chegar a um acordo. Este acordo deve ser discutido antes de ser estabelecidas as regras e rotinas, NUNCA discutido diante da criança. O filho deverá participar, como co-autor, pois, se sentindo participante da elaboração ele se sentirá mais disposto a colaborar.

13- A rotina dará ao seu filho a segurança de saber o que vai acontecer, ao acordar ele já poderá visualizar o dia. Assim, ele saberá que vai ficar na escola sem a mamãe, mas que ela retornará ao final da tarde, ele saberá que vai brincar com você, que irá jantar em família, que depois vai tomar banho e ouvir uma história do papai ou da mamãe, ou dos dois e irá dormir.

Com tudo organizado, sua vida será bem mais prazerosa e você terá tempo para se divertir e ser feliz! Este é o objetivo da vida!

Psicóloga e Coach Celma Maciel 

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