Quando os Avós Interferem na

Educação e Disciplina dos Netos

Parte I

Eu e minha filha de dois anos e cinco meses moramos na casa da minha mãe. Ela nunca permitiu que eu deixasse minha filha chorar ou fingir que não estou vendo a pirraça. Minha mãe sempre tira minha autoridade diante da minha filha. Tudo o que ela quer consegue no grito. Ela acorda chorando, dorme chorando, se não faz algo que ela quer chora, berra, grita, bate. Quando tento disciplinar, ela grita mais ainda. Não aceita ficar de castigo, pois, minha mãe sempre fez assim: tem que distrair a atenção dela com outra coisa. Mas no meu ponto de vista isso não pode ser sempre. Para mim, os filhos precisam aprender a obedecer e quando a mãe disser não é não. Esta situação está me deixando muito nervosa, e fico brava com minha filha. Não tenho nenhuma paciência, estou batendo muito e gritando muito com ela. Preciso muito de ajuda.

São complicadas esta relação quando se mora com os pais e tem filhos, principalmente quando as relações não são discutidas e ajustadas. Na educação de uma criança, as pessoas envolvidas devem estar em acordo, sejam elas os pais ou somente a mãe ou pai e avós, quem quer que seja. Este acordo e unanimidade de opiniões devem ser conversados e discutidos para que não haja divergência em algum ponto.  Os responsáveis da educação da criança devem "falar a mesma língua", pois se a criança percebe pontos de discordância, vai tirar vantagem disso. Em uma situação extrema, esta vantagem pode ser estar do lado, se aliar a quem deu razão para ela começar uma guerra entre dois exércitos dentro da casa, com intriguinhas, fofoquinhas. Isso cria um verdadeiro inferno na família.

Quando uma pessoa "tira" a autoridade da outra fica pior, pois, na cabecinha da criança ela fica sem saber o que fazer e vai optar pelo que é mais vantajoso, o que nem sempre isso é o melhor para ela.

No caso da criança citada, ela já percebeu que ao invés de obedecer, se ela der um grito, chorar e fazer um escândalo vai conseguir ter o efeito pretendido, que é o de conseguir satisfazer suas vontades sem precisar obedecer.

A primeira coisa que você tem a fazer é uma análise da sua situação. Questione suas atitudes:

  • " porquê aceito o que minha  mãe está fazendo minha filha?"

  • " porquê aceito o que tem acontecido com o relacionamento entre nós, mãe e filha?"

  • "Será que o meu consentimento é por medo de alguma coisa?"

  • "Ter receio de que sua mãe a mande sair de casa caso não a obedeça?"

  • "Aceito, porque não posso dizer o que penso para não desagradar a minha mãe?

  • "E a minha  autoestima está preservada, a ponto de conseguir mostrar que sei o que estou fazendo?"

  • "Que sei o que quero,  onde quero chegar com minhas opiniões e limites?"

  • "Será que estou sendo a criança da mamãe que precisa se submeter para ter privilégios?" Não quero dizer que você deve se rebelar e brigar com sua mãe, mas você deve SIM, mostrar que agora cresceu, que é mãe de uma menina que precisa de você como adulta, que você tem objetivos pessoais, financeiros, afetivos e sabe o que fazer para alcançá-los ou para pelo menos tentar alcançá-los, se isto não estiver claro na sua vida reserve um tempo para pensar neste assunto.

Ser adulta é saber administrar os problemas e enfrentá-los, não é só aceitar. É saber discutir e resolver problemas que estão te incomodando, dizer o que pensa sem que viole os direitos dos outros. 

Você precisa, com urgência, ter uma conversa séria com sua mãe, falando que fica muito feliz por tê-la como alguém que ama, cuida e protege sua filha, que é muito bom poder ter alguém que você confia tanto para ajudá-la com sua filhinha, porém, estão acontecendo algumas coisas que podem  prejudicar a felicidade e sucesso dela no futuro e que você está preocupada. Fale sobre seu ponto de vista sobre a educação de sua filha, cite alguns exemplos do que ela fez com você e que deram certo ou não.

 

A seguir falaremos sobre alguns princípios importantes para a formação de um cidadão de bem e, como sempre digo, com maior possibilidade de ter sucesso e felicidade na vida. É importante que você os conheça para que possa ter argumentos plausíveis para falar com sua mãe. Como falei anteriormente, você precisa, como adulta, como mãe, saber o que você quer, para conversar com sua mãe e dizer o que você acha e deseja para sua filha.

 

Este Assunto continua no artigo: O que Fazer com a Interferência dos Avós na Educação dos Netos?II

Abraços,

Psicóloga e Coach Celma Maciel 

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