Meu Filho

Não Quer Ir a Escola

 

Uma mãe me procurou para falar sobre seu filho de 4 anos e 11 meses que não quer ir à escola. 

" Todas as manhãs acontecem um verdadeiro transtorno, ele esperneia, grita, chora dizendo que a escola é chata e não quer ir. Ele só vai porque o obrigo.  Percebo que ele não está com problemas com os colegas ou professores, vejo que, na verdade, só quer ficar em casa."

A esta mamãe digo que algo diferente pode estar acontecendo sim. Vamos levantar algumas hipóteses, para tentar ter algumas respostas do caso.

Primeiramente precisamos investigar a causa do comportamento da criança. Os comportamentos acontecem quando há algo que os estimulam a ocorrer  ou se há consequência para mantê-lo. 

Os  estímulos -  que podem provocar o comportamento de não querer ir a escola podem ser: maus tratos de funcionários ou coleguinhas, isso envolve desde uma simples crítica, comentário até agressão física ou sexual, não adaptação ao sistema escolar, ameaças, dificuldade em alguma tarefa, matéria, estresse, ansiedade, depressão, etc.

Os pais precisam se relacionar com os filhos para que percebam quando existe algo diferente do habitual. Se interessar pelas atividades da criança, perguntar como foi na escola, quais atividades fez, o que aprendeu, qual história ouviu, conhecer os amiguinhos, as professoras e funcionários na ótica de seu filho. Também o que comeu, se comeu tudo, onde come, se toma banho, como, quem auxilia, quem vestiu a roupa. Pergunte sobre a rotina na escola não em forma de questionário, mas como uma conversa informal, ouvindo e participando das falas. Estreite o relacionamento com seu filho. Observe suas brincadeiras, se agressivas, se calmas. Converse com a professora, coordenadora, diretora para observa-lo. Investigue. Envolva-se com seu filho, participe da vida dele, só assim terá as informações que você precisa.

Lembro que as situações de depressão, baixa autoestima, pressão, ansiedade também deixam a criança desanimada e sem vontade de fazer nenhuma atividade, mesmo as que mais gostava.

Quanto às consequências -  podemos observar  o seu comportamento, como mãe ou pai, diante da situação de "birra" de seu filho:

1 - Grita, briga, bate;

2 - Conversa com ele falando que a escola não é chata, que as professoras são legais, tentando convencê-lo a ir.

3 - Diz firme, séria, calma  para arrumar ou o ajuda a arrumar para ir sem dar atenção ao comportamento disfuncional dele.

4 - Faz ameaça.

Se você se comporta da forma 1 e 2, está entrando no jogo dele e fazendo exatamente o que ele quer que você faça. Ele quer  atenção, então faz birra para conseguir,  e você está dando exatamente o que ele quer. Ele está te manipulando e conseguindo uma atenção em um momento totalmente inadequado.  Se este comportamento está dando certo, a criança irá repeti-lo cada vez mais, com maior intensidade e frequência. Você não deve dar atenção a maus comportamentos, deve ignorá-los. A atenção deve ser dada a bons comportamentos, como reforço, para que os mesmos se repitam.

Se você age da forma 4, além de dar atenção da mesma forma como na 1 e na 2, sua autoridade com seu filho estará em jogo, já que ao invés de mostrar quem direciona a família e filhos, você está o deixando como medo e mostrando sua fraqueza como pai ou mãe confusa.

Se for ameaça do tipo: "se você fizer( comportamento)... o homem do saco vai te pegar, a loira do banheiro, o bicho" é ainda pior, pois quando ele descobrir que estes seres não existem, a confiança em você ficará abalada. Os pais que ameaçam transferem a responsabilidade e autoridade aos sujeitos da ameaça. Não use frases que denotam ameaça, "se você... eu vou te bater, quebrar sua cara, etc."

A forma 3 é a atitude de pai ou mãe equilibrado, que terá como resultado o equilíbrio de seu filho. Não me cansarei de falar que a forma de aprendizagem mais usada pelas  crianças é a de imitação, então os pais precisam dar o exemplo. O  que você faz eles repetem,  se você grita, xinga, ameaça, vai ver este comportamento em seu filho também. Fale claramente o que deseja que seu filho faça, a ordem, a orientação ele irá entender e irá fazer. É preciso apenas falar, de forma firme, clara e ser persistente.   

Eu estava em um grande supermercado em São Paulo e havia um bebê menor de 2 anos em um carrinho de compras com carro de brinquedo daqueles que a criança entra e "dirige". Ele queria pegar os produtos imitando a mãe e queria descer do carro o tempo todo, a mãe falava: "Entra no carro senão eu vou contar para seu pai", "Entra no carro senão vou te bater", o bebê nem se importava com o que a mamãe dizia. "Em um momento a mãe se afastou um pouco e eu falei para ele "Entra no carrinho, sua mamãezinha está pedindo", falei bem baixinho, ele correu e entrou no carrinho e naquele corredor não saiu mais, no próximo ele estava se preparando para sair e eu falei novamente bem baixinho com carinho "Não saia não", Ele ficou bem quietinho dentro do carro. A mamãe não viu nada, eu não arriscaria deixa-la ver, prezo por minha integridade física!( Risos) Mas, se tivesse visto acho que ela iria pensar melhor em suas atitudes com seu lindo bebê. É muito interessante e afirmo que se os pais tratassem seus filhos da forma como gostariam de ser tratados, com respeito, calma, docilidade e firmeza teríamos uma sociedade bem diferente.

Preciso dizer que,  a adaptação das mudança de comportamento dos pais em relação aos filhos há um período de adaptação em que a criança vai tentar, com toda sua força,  manter o comportamento anterior. Aqui é preciso ter muita paciência e  persistência. Esta fase passa rápido, 3 a 4 dias, em média. Muitos pais desistem neste período, o que faz piorar o comportamento dos filhos.

       No caso da criança deste artigo, a mãe precisa antes de tudo:

  • Programar o dia desta criança, mostrando que ela tem um dia organizado, com hora para tudo, inclusive para brincar e principalmente que pela manhã tem a hora de ir à escola;

  • Deixar claro que a mãe é a autoridade maior na casa;

  • É preciso mostrar as regras;

  • Conversa com o filho dizendo  que a partir de amanhã ele irá acordar e ir para a escola sem chorar, gritar e fazer escândalo;

  • Ele irá acordar e se arrumar;

  • Vai ajudar a preparar o lanche e depois juntos, irão à escola;

  • Deve-se fazer um acordo com o filho, ele irá compreender;

  • Depois de falar com ele, peça-o que repita o que foi combinado e pergunte se ele entendeu.

 Você verá como é fácil ter o controle da situação com calma e carinho.

Psicóloga e Coach Celma Maciel 

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